— Vamos até a basílica do Santo Sepulcro?
Como Salvador desconhecia a importância da igreja, ele completou:
— Lá, Jesus foi sepultado.
— Mas o lugar que lhe serviu de túmulo ainda existe? — espantou-se o mexicano.
— Claro. É o local mais sagrado de Jerusalém para os católicos. Nesse horário, não há visitantes e, como os padres me conhecem, não há problema.
— Que horas são?
— Onze e trinta e cinco de uma bela noite.
— Certo. Vamos todos? — animou-se Salvador.
Concordei com a inusitada proposta. Deixamos os pratos sujos na mesa, peguei minha jaqueta e saímos os quatro apressados pela Cidade Velha. Em cerca de 15 minutos, chegamos. Gustavo, então, perguntou a Denis:
— Qual a diferença entre catedral e basílica?
— A catedral está ligada à sede do bispado e a basílica é um santuário, um centro de romarias.
— Então, estamos em um local de peregrinações — disse Gustavo.
— Isso. Esta é a basílica do Santo Sepulcro. Aqui, ocorreram dois eventos importantes: a morte de Jesus ou calvário e a ressurreição.
— Quem descobriu o túmulo dele? — quis saber Gustavo.
— Foi descoberto por Helena, mãe de Constantino. Sua localização fora-lhe revelada em sonho, quando estava visitando Jerusalém.
— Quem construiu a basílica? — perguntou o curioso Gustavo.
— Foi construída por ordem do imperador Constantino, o Grande, após o Conselho de Nicaea, em trezentos e vinte e cinco da era cristã. Foi destruída e reerguida algumas vezes. A atual foi levantada em mil cento e quarenta e nove depois de Cristo pelos cruzados, após a reconquista de Jerusalém.
Era meia-noite, horário proibido para turistas. Havia três guardas na porta, mas não nos incomodaram. A basílica era imensa, imponente e esplendorosa. Logo na entrada, uma pedra simbolizava o lugar onde Jesus foi colocado para fazer a unção. Alguns religiosos circulavam pela nave com suas vestimentas características; outros, deitados de bruços no chão, rezavam fervorosamente com as mãos levantadas para o céu.
Mulheres de negro passavam por nós entretidas com suas orações. O silêncio era interrompido por alguns murmúrios em outras línguas. Preocupados em não nos perdermos na intrincada geografia do prédio, seguíamos Denis ordenadamente, até que ele apontou para uma capela:
— Ali, Jesus recebeu a coroa de espinhos.
Descendo uma escadaria, chegamos à igreja de armênios, onde se celebra a descoberta da Santa Cruz por Helena, em 323; a relíquia foi encontrada intacta, destacando-se a famosa inscrição: “Jesus Nazareno, rei dos judeus.” Mais abaixo, nova sequência de escadas e havia outra capela, esta de católicos, em honra também da cruz de Cristo. Para sair dali, foi necessário subir novamente. Virei à direita e vi um altar de armênios, assinalando o despojamento das vestes, ou seja, quando tiraram as roupas de Jesus. Em seguida, um outro altar demarcava a preparação para o enterro. Continuamos em frente e, à esquerda, surgiu a prisão, um cubículo onde Jesus ficou, aguardando a crucificação. Na frente desta, um grande corredor levava ao “altar de Maria Madalena”. Quando ele ressuscitou, revelou-se para ela: “Disse-lhe Jesus: ‘Maria.’ Ela, voltando-se, lhe disse: ‘Raboni’ (que quer dizer mestre). Disse-lhe Jesus: ‘Não me toques, porque ainda não subi a meu Pai: mas vai a meus irmãos e dize-lhes que vou para meu Pai e vosso Pai, para meu Deus e vosso Deus’” (João 20:26-27). Ao lado, era a capela dos franciscanos; no altar, uma coluna representava a flagelação, enquanto à sua esquerda um quadro retratava Jesus ressuscitado, aparecendo para a mãe, e outros mostravam cenas das 14 estações da Via Dolorosa.
A visita ao santuário inspirava a reflexão solitária. Padres armênios e gregos ortodoxos contribuíam para aumentar a aura de mistério e encantamento da atmosfera mística, ao passarem constantemente com seus turíbulos, espalhando incenso no ar para purificar o ambiente.
Era impossível não se deixar envolver pela magia que emanava de cada vão de parede, de cada objeto ou relíquia sagrada. Era como se todo aquele clima se entranhasse em cada poro do corpo. Tive a percepção clara da divindade como algo realmente concreto e não intangível, e invadiu-me uma paz de espírito plena e absoluta.
Demos a volta no vão central onde ficava a cripta em que Jesus foi sepultado. Antes de seguirmos adiante, Salvador perguntou a Denis:
— Quem construiu essa edícula no local que serviu de sepulcro?
— Em mil oitocentos e oito, um terremoto destruiu o interior da basílica. Nessa época, por causa das guerras napoleônicas, as atenções aqui estavam voltadas para as batalhas e não para a Terra Santa. Por isso, foram os russos que fizeram a edícula ou capela do Anjo, em mil oitocentos e dez.
— Quem toma conta da cripta? — indaguei.
— Os gregos ortodoxos, que a utilizam e compartilham com os católicos e os armênios. Eles se revezam quatro horas por dia, para celebrarem missas especiais.
Fomos em frente, era uma sala de paredes de pedra, onde havia uma caverna. Ele entrou e fui atrás. Gustavo e Salvador ficaram vigiando.
— Aqui foi enterrado José de Arimatéia, o proprietário dessas terras no tempo de Jesus — explicou-me Denis.
Mergulhamos na escuridão de uma gruta e tive de acender a lanterna para enxergar. Observei as rochas e o túmulo apontado por Denis. Depois, foi minha vez de vigiar a entrada, para que os outros conhecessem o lugar. De repente, Denis nos chamou a um canto, na penumbra da sala onde já estivéramos. Ficamos em silêncio, iluminados apenas pela tênue luz da lanterna.
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